19 fevereiro 2021

Minha vida não tem título e é isso que é.

Estava conversando com uma amiga um dia desses, reclamava das coisas que aconteceram no hospital, das consequências que isso me trouxe, quando me toquei que já fazem 4 anos desde aquilo tudo. 4 anos!!! Só posso deduzir que foi um trauma tão grande, que até hoje eu falo dele. E, infelizmente, tenho que confessar, estou longe de superar.

As situações que passei parecem tão próxima para mim, que parecem ter acontecido semana passada. O choque de saber, de uma hora para outra, que minha vida corria risco, que eu tinha que passar por uma cirurgia. Depois saber que as coisas tinham mudado, eu só não sabia a dimensão dessa mudança. Acho que até hoje eu não sei. Ainda estou nessa luta de me aceitar como sou.

Vou fazer 30 anos em algumas semanas e minha vida não está como planejei, na verdade todos os meus planos foram pro saco! Ainda estou aprendendo a viver com isso tudo. E presa a um passado terrível, que até hoje me traz péssimas recordações.

Sinto que as vezes, estou vivendo em um redemoinho que só me lava para baixo, as coisas vieram depressa que mesmo depois de todos esses anos, ainda não tive tempo de digerir. Acho que, desde o início, eu sempre tentei fugir de tudo, fingir que estava tudo certo, tudo normal. Só que os problemas continuaram a existir, eu só não olhava para eles.

E aqui estou eu, procurando achar a vida amorosa e justa, que me prometeram e eu tanto almejei. Se eu culpo a paralisia? Sim, eu culpo!

05 fevereiro 2021

O medo dos outros

As vezes eu me pego pensando na minha deficiência, não consigo correr, não consigo pular, minha mão treme que as vezes parece um liquidificador e ando bem devagar, pra não ficar tonta e cair. Se tivesse um apocalipse zumbi, eu seria a primeira a morrer.

Tudo bem, isso foi meio dramático. Mas fico pensando nisso, em uma situação hipotética, que eu necessitasse de força bruta, ou simplesmente correr para salvar a minha vida, provavelmente eu não estaria mais aqui.

Da um certo medo pensar nisso. Mas só tenho 29 anos, vou viver com esse medo o resto da minha vida (que espero que seja longa)?

Assim que fiz as cirurgias, minha mãe não queria que eu saísse sozinha de casa, porque se acontecesse alguma coisa na rua, tinha alguém para me ajudar. Eu adiava! Entendo a preocupação, mas cadê a autonomia? Além de não ser uma coisa muito prática. Onde ia enfiar alguém que me ajudasse todo dia? Eu quebraria um pedacinho do dedo, colocaria no chão e dele surgiria meu mordomo particular? Ficava me imaginando tentando atravessar a rua e ele me dando a mão, que nem uma velinha.

Tudo bem que em alguns lugares, fico meio receosa, torço pra ninguém olhar pra mim e tento andar rápido (doce ilusão). Agradeço por morar em um lugar que é mais tranquilo, plano, que eu consigo andar sozinha. Minha mãe mora em um lugar mais potencialmente perigoso, mas eu não vou deixar de fazer as minhas coisas sozinhas quando eu vou lá.

Acho que não deixei esse medo se apoderar de mim, não queria e ainda não quero viver reclusa o resto da minha vida. Que seja para ser comida por uma horda de zumbis. Vou andar nas ruas, trabalhar fora, sair, me divertir, sozinha!