Desde a paralisia, comer tem sido um problema.
Antes, eu só queria comer quando estivesse sozinha, o que
era difícil com uma mãe superprotetora, que achava que se ela não me vigiasse o
tempo todo era capaz deu entrar em combustão espontânea e explodir. Detalhe, eu
tinha 26 anos na época e 3 irmãos mais novos!
Depois percebi que se eu não quisesse morrer de fome, tinha
que comer. Mas só na frente da minha família, ou de pessoas muito próximas. Até
hoje evito sair pra não ter que encarar o fator comida. Mas já posso dizer que
saio sozinha e como, se for necessário.
Minha boca é meio torta e quando eu mastigo ela se abre um
pouco do lado direito. Um aborrecimento sem fim. A comida cai ou fica
balançando, e o pior, eu não sinto o lado direito, então não percebo!
Agora eu tenho algumas soluções pra isso:
1 – Em casa eu tiro a camisa. Sim, eu como sem roupa. Isso
evita que suje e me estresse. O bom é que o meu marido não reclama.
2 – Quando não quero me preocupar muito com a sujeira,
(também conhecida como “não posso tirar a camisa senão vou ser presa por atentado
ao pudor”) eu uso uma roupa escura, ou com desenhos grandes e coloridos, assim
a mancha passa quase imperceptível.
3 – Só como sopa quando estou sozinha. Nem nada muito
líquido. É nojento de se ver, então é melhor ficar só para si.
4 – Comer bem próximo ao prato, porque, caso caia, cai no
prato. Eu lembro de quando eu era pequena e minha mãe falava que isso fazia
parecer que estava morta de fome e não tinha educação. Desculpa, mãe, mas isso
agora me ajuda.
5 – Uso muito guardanapo, sempre, pra limpar a boca. Se uma
parte dela está sempre aberta, imagina a sujeira que fica. Sei que desde
pequena sempre achei extremamente necessário usar guardanapos, minha mãe fala
que eu usava um diferente a cada garfada. Hoje em dia eu compro daqueles
grandes, que servem bolo em festa e tento usar só um por refeição. A natureza
agradece.
6 – Eu sou destra, mas como não consigo comer mais com a mão
direita, então tive que aprender a comer com a esquerda. Isso ajudou bastante.
7 – Evito certos tipos de alimentos e priorizo outros. Por
exemplo, adoro espaguete, mas ele é aquele que se enquadra em comidas que ficam
penduradas e não sinto, então, sempre que dá, eu evito e priorizo massas que
não caem tanto, como penne.
Agora, quando estou sozinha, libero geral e como o que der
na telha. Mas sem camisa! Suja-lá é realmente algo que me estressa.
Vou dizer que comer ainda tem sido algo que me estressa um
pouco, eu me sinto as vezes como um bebê que não consegue comer direito. Mas
tenho tentado não ligar muito pra isso, apesar de ser difícil. Trabalho em home
office e estou tentando um outro trabalho que é presencial e já estou sofrendo
por antecedência com a ideia de me verem comer.
Sim, eu sei que não devo ligar para o que os outros pensam,
mas me aceitar é um processo e estou ainda no início!
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