Falei no post passado sobre comida, mas não comentei sobre como eu odiava a comida do hospital. Foi tão traumático, que até hoje me marca.
Na verdade, começou como toda a relação começa, com muita
vontade, muito desejo. Na primeira vez que fiquei internada, me alimentei por
sonda durante um tempo, sopa cremosa em outro. Fiquei sem comer nada sólido por
quase duas semanas! Estava enlouquecendo! Então, nessa hora, quando eu comia a
comida de lá, foi na mais profunda paixão.
Depois da sopa, evoluiu para uma comida cremosa. E lembro
nitidamente de uma pasta branca que eu tinha horror, era sem sal, sem tempero,
horrível. Depois descobri que era arroz batido! Fiquei super feliz quando me
liberaram para uma comida sólida. Esse foi o ápice do nosso relacionamento,
depois foi só ladeira abaixo.
Sai do hospital e descobri que precisava fazer uma outra
cirurgia. Então tudo isso recomeçou. Fui internada de novo, obrigada a comer
aquela comida que já não me agradava mais.
Nas minhas internações, ficava entre o CTI e o quarto. O
quarto era mil maravilhas, já que meu acompanhante ou qualquer pessoa que fosse
me visitar, eu pedia que me levasse comida. Então era pizza, hambúrguer,
esfiha, pudim! Rolava o maior contrabando de comida! Só que quando ficava no
CTI isso não acontecia, então eu tinha que comer a comida do hospital. O
relacionamento já estava meio bambeado.
Sai do hospital e tive que internar mais uma vez, já que
tive uma fístula. E só sai do hospital mais de um mês depois. A hora de comer
passou a ser um tormento. Para tornar a comida mais comível, já que chegou uma
hora que ela era totalmente intragável, minha mãe ou meu marido me levavam
temperos para misturar na comida. Eu tinha um estoque de cebola e alho
desidratado, sal, pimenta.
Sai do hospital e, para meu desespero, tive que internar
novamente por causa de uma meningite. Não preciso falar o quanto nosso
relacionamento já estava centrado no puro ódio.
Eu entendo que tem pessoas que necessitam de um determinado
tipo de alimentação, sem sal, sem cebola, sem tempero. Então eles fazem uma
comida que dê para todos, mas não era o meu caso. Nunca mais quero passar por essa
experiência, obrigada!
O que tirei disso tudo? Que dar comida sem gosto é uma
espécie de tortura. E com requintes de crueldade! Acho que sai de lá mais
doida, depois de ter comido aquela comida durante tanto tempo.
Eu achava que isso era um problema de todos os hospitais,
mas meu marido fez uma cirurgia depois e o hospital que ele ficou tinha uma
comida decente, pelo menos é o que ele diz.
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